Arquivo da categoria: Poesia & arredores

um poema de léon laleau, poeta haitiano

canibal

o desejo selvagem, o ardor,
de misturar o sangue e as feridas
aos gestos e caretas do Amor
e de achar, debaixo das mordidas
que perpetuam o sabor dos beijos,
os soluços da amante e os seus ais…
ah! rudes e intranqüilos desejos
de meus antepassados canibais…

cannibale

ce désir sauvage, certain jour,/de mêler du sang et des blessures/aux gestes contractés de l’Amour/et de percevoir, sous les morsures/qui perpétuent le goût des baisers,/les sanglots de l’amante, et ses râles…/ah! rudes désirs inapaisés/de mes noirs ancêtres canibales…

(achei este poema de léon laleau na: anthologie de la nouvelle poésie nègre et malgache de langue française, organizada por l. s. senghor – a tradução é minha.)

canibais - o sonho de hans staden

vídeo-conferência sobre léopold s. senghor (para quem não viu)

para quem não viu a vídeo-conferência que apresentei semana passada na puc virtual, já está disponível para baixar no site da tv ponto com [link aqui]. se não quiser baixar, mas estiver afim de ver aqui mesmo no salamalandro, ajeite-se na cadeira e fique à vontade. é só apertar o play.

a videoconferência “negritude, magia e política: a poesia de léopold sédar senghor”, com o poeta e tradutor leonardo gonçalves, fez parte da série panorama arte e cultura, que é promovida juntamente com a diretoria de arte e cultura da puc minas. o projeto biblioteca digital multimídia é uma parceria da puc minas com o instituto embratel 21 e cerca de outras dez instituições universitárias e culturais. a transmissão foi feita através do portal do conhecimento, com direção e apresentação do professor haroldo marques.

revista roda para baixar

revista roda número 1desde o último fan (festival de arte negra), a revista roda passou a estar disponível para ser baixada. aliás, os leitores mais atentos, que fuçaram aí nos cantinhos do salamalandro, já a encontraram.

com uma equipe de arrasar, editada por ricardo aleixo e com projeto gráfico do bruno brum, a revista roda foi um dos melhores acontecimentos impressos dos últimos anos em bh. com um conjunto de informações riquíssimo, abrindo caminho para quem quiser conhecer bons artistas. que aliás acabam obscurecidos pela cor da pele ou pela falta de acesso a grandes meios. cada beiradinha da revista merece ser lida com cuidado.

no número 1, colaborei com algumas traduções de senghor e quem quiser baixar é só clicar aqui :

http://www.fanbh.com.br/donwloads/revista-roda/RODA_01.pdf

os outros números também se encontram disponíveis no seguinte endereço :

http://www.fanbh.com.br/index.php?secao=0&lng=pt&n1=fan&n2=revistaroda

vídeo-conferência sobre léopold sédar senghor

vídeo-conferência sobre léopold sédar senghor

O poeta e tradutor Leonardo Gonçalves apresenta a vídeo conferência
“Negritude, magia e política: a poesia de Léopold Sédar Senghor”

O poeta e tradutor Leonardo Gonçalves apresenta, no dia 12 de março de 2008, às 15h, a vídeo-conferência entitulada: “Negritude Magia e Política: A Poesia de Léopold Sedar Senghor”. A vídeo-conferência será exibida ao vivo pela internet no site: http://200.244.52.177/embratel/main/mediaview/tvpontocom. O evento fará parte da Série Panorama Arte e Cultura, que é promovida juntamente com a Diretoria de Arte e Cultura da PUC Minas. O Projeto Biblioteca Digital Multimídia é uma parceria da PUC Minas com o Instituto Embratel 21 e cerca de outras dez instituições universitárias e culturais. A transmissão será através do Portal do Conhecimento, com direção e apresentação do Professor Haroldo Marques.

A obra de Léopold Sédar Senghor, embora pouco conhecida no Brasil, é uma das experiências mais instigantes da poesia do século XX. Produzida numa região conflituosa da linguagem, sua poesia soma diferenças que vão do rítmico-sonoro ao lingüístico-cultural (tratando de temas como a pele negra, a tradição africana dos ancestrais ou a participação dos senegaleses na segunda guerra mundial). A poesia de Senghor é uma somatória africana de paixões eletrizantes em face de um mundo frio e excludente. Senghor, amante das diferenças, foi também um ardoroso defensor de conceitos como “negritude”, “francofonia” e “civilização do universal”. Tratava-se, já, da defesa de culturas mais fragilizadas em meio ao mundo que se globalizava. Numa entrevista concedida no final dos anos 1970, ele propunha “uma civilização do Universal pela diferença e na diferença”. É o que se vê desde o princípio em sua escrita. Continue lendo vídeo-conferência sobre léopold sédar senghor

heriberto yépez em dois lugares

heriberto yepez

para quem lê o castelhano, clique aqui e conheça o texto do poeta argentino mario arteca sobre heriberto yepez seguido de uma boa amostra da escritura em prosa desse tijuanês da porra.

para quem lê o inglês, indico um poemanifesto do mesmo tijuanês, publicado há algum tempo no site www.ubu.com. o texto se chama: a sketch on globalization & ethnopoetics (um esboço sobre globalização e etnopoética)

photomaton & vox

photomaton & vox
photomaton & vox
dia 27 de março às 19h na multimeios do museu oi futuro.
entrada franca.

a performance propõe um processo compositivo a partir de poemas de herberto helder e a criatividade de alguns dos meus artistas favoritos: julius (vídeo), frederico pessoa (trilha) e letícia féres (corpo-voz).

em breve, você poderá acessar também o site: naomaculeminhafaca.org/

para quem estiver em sampa

claudio willero poeta, tradutor e ensaísta claudio willer começa amanhã a dar o curso surrealismo: poesia e rebelião no museu da língua portuguesa (Praça da Luz, s/n, bairro estação da luz – são paulo). o curso acontecerá no período entre 04 de março e 12 de maio, sempre às terças-feiras das 14 às 17h. os interessados podem se inscrever pelo telefone (11) 3227 -0402. as vagas são limitadas.

outras informações nos seguintes sites:

www.estacaodaluz.org.br

www.cronopios.com.br

www.tvcronopios.com.br/bitniks04/entrevista.html

carne viva aos vivos

“carne viva” de marcelo sahea. edição do autor, 2003

a minha ida a brasília no último novembro foi, talvez, a semana mais importante do meu 2007. dentre as muitas coisas boas que fiz (pouco a pouco elas vão aparecendo aqui), destaco um momento, alguns pouquíssimos minutos, em que estivemos na companhia de marcelo sahea, e pudemos trocar presentes. ganhei dois belos livros: “carne viva” e “leve”. dois livros delicados, tão pequenos que quase cabem na palma da mão e com um conteúdo de rasgar o ventre!

pois é. esse sahea, que é um dos melhores poetas da minha geração (e olha que me considero parte de uma geração privilegiada!), tomou uma excelente iniciativa: ele acaba de disponibilizar o seu primeiro livro “carne viva” para baixar. eu recomendo. o processo é simples e barato: basta ir até o site do marcelo (www.sahea.net) e clicar lá no link. quer mamata maior?

bem, se não estiver conseguindo, clique aqui que o marcelo te explica.

a deusa das lascivas pompas – um poema de cruz e sousa

Afra

Ressurges dos mistérios da luxúria,
Afra, tentada pelos verdes pomos,
Entre os silvos magnéticos e os gnomos
Maravilhosos da paixão purpúrea.

Carne explosiva em pólvora e fúria
De desejos pagãos, por entre gnomos
Da virgindade — casquinantes momos
Ruído da carne já votada à incúria.

Votada cedo ao lânguido abandono,
Aos mórbidos delíquios como ao sono,
Do gozo haurindo os venenosos sucos,

Sonho-te a deusa das lascivas pompas,
A proclamar, impávida por trompas,
Amores mais estéreis que os eunucos.

(de broquéis, primeiro livro de cruz e sousa)