Isso, de Juan Gelman

Foto: Tomas Bravo/Reuters

Publicado em 2004, na coleção Poetas do Mundo, o livro Isso, de Juan Gelman, ganha agora sua primeira reimpressão. Na nova roupagem, alguns detalhes novos: como uma versão um pouco mais colorida da capa e alguns ajustes inevitáveis, devido ao fato de o poeta não estar mais entre nós.

Traduzido por Leo Gonçalves (yo!) e Andityas Soares de Moura Costa Matos, o livro celebrou, naquele momento, vários acontecimentos. A consolidação da coleção Poetas do Mundo, então com 4 livros publicados (Czeslaw Milosz, Francis Ponge, Tahar Ben Jelloun e o sérvio Miodrag Pávlovitch). A obra de Juan Gelman ganhava mais notoriedade naquele período: entre 2003 e 2005, ele foi galardoado com 9 prêmios diferentes, com destaque especial para o Reina Sofía de Poesía Iberoamericana. Ainda sobre Juan, ainda se respirava um grande feito: após décadas de buscas, ele conseguiu encontrar sua neta Macarena Gelman, uma das muitas vítimas das ditaduras militares latinoamericanas: após terem sido raptados, foram levados para o Uruguai onde ela foi tirada da mãe já no instante do nascimento.

No contexto da própria publicação, também tivemos, nós os tradutores, algumas alegrias: a consolidação de nossos entusiasmados esforços de tradução de seus poemas. Vale dizer que conversávamos, eu e Andityas, sobre o poeta, desde 1998, mesmo ano em que publiquei, num site literário, a tradução de “Sobre a poesia”, dele. O processo de feitura da tradução possibilitou ainda uma interessante convergência de nossos trabalhos criativos. Mudaria tanto a cara dos meus poemas posteriores, quanto a de Andityas. E, não me esquecerei nunca disso, ao final daquele ano, recebemos uma alegre mensagem do Juan (que também participou das traduções) saudando a nossa amizade nova.

Juan escreveria, nos anos seguintes, a orelha do livro Fomeforte, do Andityas, e a de meu Use o assento para flutuar. Nossas interlocuções permaneceram por algum tempo. Andityas pôde publicar ainda mais dois livros de Juan: Dibaxu/Debaixo e Com/posições. Minha tradução de Hacia el sur/Rumo ao sul permanece inédita ainda hoje.

A reimpressão de Isso é, hoje, para mim, uma excelente notícia. Muita gente pensa que é bom para um livro que ele seja uma obra difícil de encontrar. Nada mais equivocado. Eu e Andityas lamentávamos já em 2000 a ausência da poesia dele no cenário brasileiro. Acreditávamos que o Brasil ganharia muito se conhecesse os poemas deste personagem tão interessante, que mistura alegria e melancolia muitas vezes na mesmíssima palavra. Juan foi um grande experimentador em poesia, um apaixonado pelos seus mistérios e pela intimidade que nutria por essa que ele chamava de “senhora”, a poesia. Sua poesia, como desafio contra o terror de estado, hoje nos serviria (se estivéssemos preparados para isso) para entender os motivos de se evitar o retrocesso em que estamos.

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O lançamento do livro ocorrerá hoje, dia 14 de maio, às 17h, numa live que faremos. O evento é promovido pela editora da UnB e contará com a participação dos tradutores e mediação de Germana Henriques Pereira. O evento erá transmitido pelo canal de Youtube da Editora da UnB: https://www.youtube.com/watch?v=UTryFG9EuS4

https://www.youtube.com/watch?v=UTryFG9EuS4

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