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não macule a minha faca


“quem com letícia féres, confere e será querido”.
imperdível. nas terças poéticas: jardins internos do palácio das artes. hilda hilst homenageando letícia féres. letícia féres homenageando hilda hilst. poesia em alta voltagem. samplermusic & videocolagem. julius. frederico pessoa. poesia hoje. queria conseguir dizer mais. mas precisa? vá lá e comente depois aqui comigo, vai.

what can i hold you with? (um poema inglês de jorge luis borges)

de que modo eu posso te abraçar?
eu te ofereço estreitas ruas, poentes desesperados, a lua dos subúrbios gastos.
eu te ofereço a amargura de um homem que olhou longamente a lua solitária.
eu te ofereço meus ancestrais, meus mortos, os fantasmas que os vivos honraram em mármore: o pai do meu pai assassinado na fronteira de buenos aires, duas balas atravessadas nos pulmões, barbado e morto carregado por seus soldados no couro de uma vaca; o avô de minha mãe – com apenas vinte e quatro anos – encabeçando uma carga de trezentos homens no peru, agora fantasmas sobre desvanecidos cavalos.
eu te ofereço qualquer insight que possa haver em meus livros, qualquer hombridade ou humor na minha vida.

eu te ofereço a lealdade de um homem que nunca foi leal.

eu te ofereço o cerne de mim mesmo que achei de certo modo – o coração central que não aposta em palavras, que não trafega com sonhos e é intocado pelo tempo, pela alegria, pelas adversidades.
eu te ofereço a memória de uma rosa amarela vista ao pôr-do-sol, anos antes de você nascer.
eu te ofereço explanações sobre você mesma, teorias sobre você mesma, notícias autênticas e surpreendentes sobre você mesma.
eu posso te dar a minha solidão, a minha escuridão, a fome do meu coração; estou tentando subornar-te com incertitude, com perigo, com derrota.

(tradução: leo gonçalves)

o borges é um sujeito muito raro. melhor conhecido como prosador, foi também um grande poeta – um marco da lingua castelhana, grande influência de gerações e gerações na literatura argentina. e não só: também produziu bons ensaios sobre o tema, sendo que hoje, um poeta interessado em se aprimorar conceitualmente sobre sua arte perde muito se não tiver acesso às essas reflexões. por outro lado, sua posição conservadora se refletia em sua produção. isso não o impediu de ser um dos mais transgressores artistas do século xx. curioso é que como poeta, a preferência é por uma forma mais tradicional (quem se interessar, publiquei aqui no salamalandro há algum tempo um soneto dele chamado “swedenborg”). voltando de diamantina, tive o desejo de ler poemas dele. qual não foi a surpresa ao encontrar este poema que me parece esteticamente “selvagem”, apaixonado e racional ao mesmo tempo. e escrito em inglês! quando eu gosto tanto de um poema assim, fico emocionado e preciso “lê-lo melhor”. e “ler melhor” significa traduzir. não quis pôr o original aqui porque o blogspot não oferece muito bons recursos na formatação do poema e com esta trabalheira já basta o poema em português. mas quem quiser conhecer o original (é sem dúvida muito mais bonito que a tradução), é só clicar aqui: www.primrose.com/borges

Festival de Inverno UFMG, Diamantina – 2007

Leo Gonçalves & Patrícia Mc Quadena glória! eu também estou aí,/ estou aí o que é que há/também tô nessa boca!

Antonio Cíceroagoral: poesia e pensamento no centro do agora.Antonio Cíceroturma bonita: oficina “a arte do poeta” com antônio cícero

Rufo Herrerarufo herrera: palestra-show sobre o bandoneon. poesia em foles: fôlego.

Na Ozzettinoite musical: na ozzetti

Família Reisfamília reis, choro diamantinense, bonito e sofisticado feito por mãos simples.

Michelle Andreazzicapim seco, cantando no escuro.
voz linda da cantora. timbre raro. mpb e clássicos da mpb.
ficamos sonhando ouvir as músicas da banda.
mas a promessa já foi feita.

Fabrícia“por que você não rasga essas cartas de amor?”, ela dizia.

é a fabrícia. ela não tem só cara, ela é rebelde mesmo. sarau agoral: poesia aqui e agora.

Luciana Tonelli, Vera Lúcia Casa Nova e Álvaro Andrade Garcialuciana tonelli, vera casa nova e álvaro andrade garcia, trio de gente bacana. no cabana.

Leo Gonçalves & Patrícia Mc Quade

luzes acesas/vozes amigas/

chove melhor

(alice ruiz)

o haicai da cecília

Patrícia Mc Quadeguardar uma coisa é olhá-la, fitá-la. (em primeiro plano: patrícia, a famosíssima “minha namorada”)


malas prontas: diamantina, um brinco de cidade

Leo Gonçalves & Patrícia Mc Quade

slow food brasil

você sabe o que é fast-food? se não sabe, pelo menos faz uso. o rango rápido é a comida mais consumida nas cidades do mundo. sanduba, pizza pedaço, coxinha, esfirra a $0,59, refri lata, pão de queijo, restaurante self-service. quem é adepto assumido sabe que há um certo prazer tosco de se estar caminhando pela rua e de repente, parar numa lanchonete para pegar um misto quente e ainda por cima sair andando pela rua comendo com a mão esquerda e bebendo uma soda limonada na mão direita.
um prazer tosco, eu disse. típico de gente que corre o dia inteiro. um prazer nada gustativo. pura aventura.
a alternativa a isso se chama slow food. o rango lento. trata-se de um movimento pelo prazer de se saborear não apenas a comida, mas tudo aquilo que se pode gozar calmamente. um jeito simples de trazer de volta o ato de comer à vida. afinal, uma das 9 musas era cozinheira.
e agora acaba de entrar no ar o site do slow food brasil. eles sempre capricham no projeto gráfico e o site não podia ser diferente. quem fez foi meu amigo: o marcelo terça-nada! deguste lentamente.

mais notícias pela bloguesfera afora

chacal lança na flip o livro belvedere, que reune a poesia dele até aqui.

comentário: a notícia de que saiu essa reunião dos 36 anos de criatividade do chacal me deixou letrelétrico e me trouxe muito prazer. afinal, é tão difícil achar os livros dele. e a vida é curta para ser pequena. (www.chacalog.zip.net)
marcelo sahea, inventor de uma coisa divertida chamada poegifs, lança o seu novo site. visceral. está ainda em construção, mas já dá para passear por lá.
comentário: o site está lindão. marcelo sahea não é só um poeta em carne viva, mas um puta artista gráfico. passa lá: www.sahea.net (www.poesilha.blogspot.com)

marcelo terça-nada! criou há alguns dias uma coisa bacana: um centro de informações bloguísticas chamado vizinhança. comentário: de idéias boas é que o mundo vive. leio jornais e acho uma merda. só consigo me ver realmente informado quando dou uma passada pelos blogues. (www.virgulaimagem.redezero.org)

renato negrão, makely ka e chico de paula vão a ouro preto dar a oficina de “desespecialização artística”. de 16 a 20 de julho. comentário: grande sacada essa. a proposta vai na contramão do capitalismo atual onde o mais bonito é sempre ser cada vez mais especialista. saber cada vez mais sobre cada vez menos. (www.nocalo.blogspot.com)
lenise regina retoma a sua palavra sem nome, dando a palavra ao poeta-repórter especial julius cesar, que está cobrindo a flip – festa literária de parati. lá também você tem mais notícias sobre o belonovo livro do chacal. comentário: regina é palavra latina e quer dizer rainha. ela e seu césar. não é à toa que a letícia, a rainha do trocadilho chama ela de primeira dama. êh lindeza! (www.poesiahoje.art.br/palavrasemnome)

a morte de josé agrippino de paula

1967 foi um ano chave. glauber rocha lançava terra em transe. zé celso martinez entrava em cartaz no teatro oficina com o rei da vela de oswald de andrade. a tropicália a toda. na literatura: josé agripino de paula lançava o seu panamérica. caetano na vitrola: “panaméricas de áfricas utópicas/túmulo do samba mais possível/novo kilombo de zumbi”

passaram-se 40 anos. o teatro oficina do zé celso continua sua luta pela sobrevivência num país que é ainda o túmulo do samba mais possível. e do samba menos possível também.

passaram-se 40 anos e josé agrippino passa dessa para uma melhor. falecido em 04 de julho. sem louros, sem reconhecimento que valha os 40 anos de sua panamérica. silencioso. uma pena. me faz pensar em pound:

“os artistas são as antenas; um animal que negligencia os avisos de suas percepções necessita de enormes poderes de resistência para sobreviver.

os nossos mais delicados sentidos estão protegidos, o olho por um alvéolo ósseo, etc.

uma nação que negligencia as percepções de seus artistas entra em declínio. depois de um certo tempo ela cessa de agir e apenas sobrevive”.

daqui eu vejo ademir assunção esbravejando de sua espelunca. compartilho da sua ira.
boa viagem, agrippino.

sumido

para os 987.725 leitores que freqüentam este sítio, devo uma satisfação: meu sumiço (o mais longo desde o nascimento deste blogue) não é porque parei de escrever, onde já se viu? não sou desses que escrevem quando tem tempo. escrevo porque preciso, escrevo porque impreciso. e meu silêncio é meu melhor poema. mas na internet eu entro (isso sim) quando me sobra um instantinho, nos intervalos entre o aqui e o ali.os primeiros meses do ano foram repletos de acontecimentos e trabalhos, o que me tem impedido de parar para dar notícias por aqui.

mas diz aí pro pessoal da redação que eu tô voltando. com novas notícias novas. as idéias mais afiadas. o sangue fervendo na veia. paganismos. o kaos e o kosmos. papeizinhos crepitando na fogueira da alma, loucos para virar poesia.