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jerome rothenberg aqui & ali

(aproveitando uma dica do heriberto yepez)

há bem pouco tempo que venho me enveredando pelos estudos da etnopoesia. acho lamentável não encontrar muitas fontes sobre o assunto em língua portuguesa. fiquei bem feliz quando encontrei numa livraria um livro chamado “etnopoesia no milênio”, da editora azougue. da mesma forma, passeando pelo incrível site do ubu, encontrei um excelente manancial (coordenado pelo próprio jerome) sobre a ethnopoetics, oferecido para os leitores de língua inglesa. foi lá que achei o “sketch on ethnopoetics” de heriberto yepez para traduzir.

acredito muito numa poesia que chamarei “de pesquisa”, a qual encontro as primeiras prefigurações no brasileiro sousândrade, nas galáxias de haroldo de campos e em jerome rothenberg.

rothenberg é mais um que entra para a bloguesfera. ele lança seus delírios de lá da california no poems & poetics. no prospecto que ele inseriu na barra ao lado de seu espaço, um pouco daquilo que os blogueiros dizem ou diriam se tivessem lembrado de fazê-lo.

nesta era de internet e blogue, abre-se a possibilidade para uma livre circulação de obras (poemas e poéticas no nosso caso) para além de um nexo comercial ou acadêmico. eu passarei a postar algumas das minhas próprias obras, tanto novas quanto velhas, de difícil ou impossível acesso, e também, como der na telha, postar obras de outros meio à maneira de uma antologia ou revista aberta. eu tomo isto para estar na tradição dos poetas de publicação autônoma, retornando a Blake & Whitman & Dickinson, entre numerosos outros.

o poems & poetics está no:
www.poemsandpoetics.blogspot.com

além disso, você encontra mais sobre a ethnopoetics no:
www.ubu.com/ethno

os blogues e o inconformismo

é uma grande alegria poder de vez em quando folhear o blogue de caetano veloso, obra em progresso. como eu disse numa postagem anterior, ele lança lá algumas pérolas-bomba muito felizes. há algum tempo atrás, eu costumava ouvir pessoas reclamarem que caetano é genial quando compõe e um fiasco quando abre a boca. de duas uma: ou caetano mudou ou aquelas pessoas estavam equivocadas. o que vemos lá no blogue dele é um cara polêmico, engraçado e mordaz – com um olho clínico-crítico para o fino de problemas mundiais muito contemporâneos e eternos como o racismo e a opressão. como é o caso da querela que podemos ler exatamente no obra em progresso em torno à canção “base guantânamo”, composta recentemente por ele.

nos últimos dias, caetano chamou a atenção para dois outros blogues, talvez não tão charmosos quanto o dele, mas ainda mais interessantes: são os blogues do casal cubano yoani sánchez (que ganhou com o seu blogue generación y o prêmio ortega y gasset de jornalismo digital) e reinaldo escobar (a foto acima foi colhida no blogue dele). é lá que ficamos sabendo que o excelentíssimo ex-ditador fidel castro, depois de ter deixado o poder passou a dedicar-se à escrita (uma pena que ele não quis aprender a escrever poemas ou conhecer a etnopoesia de jerome rothenberg para aplicar em seus escritos). parece que a despedida do poder, deu aos cubanos (incluindo o fidel) o desejo de botar a boca no tombone. e no rol dos protestos sobra pra todo mundo, incluindo o caetano. acho que palavras podem ser usadas para fazer voar ou para oprimir. para saber quem usa como, a dica é espiar lá. in loco. nos devidos blogues.

www.obraemprogresso.com.br
www.desdecuba.com/generaciony
www.desdecuba.com/reinaldoescobar

etnopoesia no milênio

livro: \ a etnopoesia, muito mais do que uma interseção entre a antropologia e a poesia, é uma mudança de paradigmas. o ocidente perdeu muito tempo com a discussão “o que é poesia”, sempre enxergando-a como um braço dos ensinamentos gregos. com isto, foi esquecido algo simples e óbvio para qualquer pessoa interessada nessa camada sutil que paira sobre as coisas sobre a qual deram o nome, repito, de “poesia”: que a poesia pode estar em qualquer coisa ou lugar.

o trabablho de jerome rothenberg começou quando, em 1967, lançou um livro sui generis chamado “technicians of the sacred”, onde fazia uma grande antologia de poemas-textos-dizeres de xamãs & pajés do mundo inteiro. desde então, a revolução que ele vem propondo é convulsiva, transbordante. ao lado de seus próprios poemas, já publicou antologias de poetas judeus, poetas dos campos de concentração nazistas, poesia xamã das américas, antologias renovadoras onde figuram poetas do mundo inteiro, tais como um poeta-xamã-esquimó, um antigo e anônimo escriba do egito, pound, poetas concretistas, maria sabina, os poetas da negritude e por aí vai.

este livro, “etnopoesia no milênio”, é o primeiro do autor (talvez mesmo sobre o tema) a ser traduzido e/ou publicado no brasil (40 anos de atraso!).

quem quiser ler coisas de/sobre Rothenberg, eis alguns links:

rothenberg antologizado e entrevistado por rodrigo garcia lopes

jerome rothenberg no ubu, a maior referência na web sobre a ethnopoetics, com soundings, visuals, poems & discourses.